Franklin Carvalho

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Franklin Carvalho é autor do romance “Céus e Terra”, que venceu a edição 2016 do Prêmio Nacional Sesc de Literatura, do Serviço Social do Comércio. A obra, que enfoca os mitos e medos existentes em torno da morte no sertão e na sociedade brasileira como um todo, ficou à frente de 793 concorrentes, foi lançada em novembro de 2016 e já é vendida nas livrarias físicas e nos sites da Editora Record, responsável por sua edição, da Amazon, da Saraiva e da Cultura.

Céus e Terra conta a história do menino Galego, que aos doze anos é convocado para salvar um cigano crucificado e acaba morrendo. Como uma espécie de fantasma, o personagem acompanha uma família de pessoas bastante simples do sertão baiano, durante o ano de 1974. Aos poucos, Galego passa a compreender os símbolos e tradições locais que não puderam ser integralmente assimilados durante sua breve vida terrena. Ainda que transite por temas densos, como religião e morte e dramas familiares, o olhar do menino confere uma leveza lírica à narrativa.

Segundo declarou o autor em entrevistas aos meios de comunicação, “A questão não é a morte em si, mas o que as pessoas dizem dela, as superstições e o risco iminente de se topar com almas de noite e até mesmo de dia. Já vi católicos, evangélicos e gente de toda religião, até mesmo ateus, contando ‘causos’ que parecem coisas de cinema, só que mais impactantes, porque são narrados como verídicos. Não há uma fronteira clara em nosso cotidiano e muita gente, embora se diga descrente, acaba recorrendo a troca de favores, orações e pedidos com o além”.

Embora seja uma obra de ficção, o romance surgiu a partir de pesquisas sobre Antropologia da Morte realizada com vistas a obter vaga em mestrado na Universidade Federal da Bahia. O projeto acadêmico foi trocado pela ficção, mas, na sua origem, alimentou-se dos trabalhos de João José Reis, Philippe Ariés, Edgar Morin, Norberto Elias, Elisabeth Kubler-Ross, Jean Ziegler, Santo Agostinho, José Carlos Rodrigues, Juana Elbein dos Santos, Aparecida Vilaça, José de Souza Martins, além de outros.

As práticas funerárias e o ambiente cemiterial são assuntos do interesse do escritor, que já observou e fotografou as seguintes localidades e situações: Cemitério da Recoleta (Buenos Aires), Cemitérios de Montparnasse, Montmartre e Pére Lachaise (Paris). No México, a Festa de Muertos e os cemitérios de Dolores, na Cidade do México, de Patzcuaro e da Isla de Janitzio. Na Itália, a devoção às almas do purgatório, a Igreja de Santa Maria delle Anime del Purgatorio Ad Arco e o Cimitero della Fontenelle, em Nápolis. No Brasil, os cemitérios da Consolação (SP), Ouro Preto (MG), São Luís e Santo Amaro (cidades do Maranhão), Campo Santo, Convento do Carmo, dos Ingleses, dos Alemães e Quinta dos Lázaros (Salvador), Serrinha, Jaguaribe, Araci, Cachoeira e outras cidades na Bahia. Franklin será palestrante do VIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, que ocorrerá em Florianópolis (SC), de 17 a 20/7/2017.

Ainda sobre Céus e Terra, o autor diz que quer provocar a reflexão sobre o complexo universo simbólico da religião em nosso país, principalmente as práticas rituais envolvendo necrópoles, interdições, tabus, superação de lutos, etc. O objetivo é avançar além da discussão do sincretismo, revelando o comportamento de indivíduos que em momentos de dificuldades recorrem a várias religiões, às vezes ao mesmo tempo, e que deixam aberta a possibilidade de se utilizar – e crer – no que estiver à mão. “Isso, por vezes, acaba criando mais insegurança, pois quem apela para diversas entidades também teme diversas entidades” explica.

BIOGRAFIA – Franklin Carvalho é jornalista, pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho e assessor de imprensa do Tribunal do Regional do Trabalho. O baiano, natural de Araci, tem 48 anos e é autor de dos livros de contos independentes “Câmara e Cadeia” (2004) e “O Encourado” (2009). Em 2015, recebeu o 2º lugar no Prêmio de Jornalismo Barbosa Lima Sobrinho – Direitos Humanos, da Seção Bahia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA), na categoria Webjornalismo.

Interessado em Antropologia, participou das XX Reunião Brasileira de Antropologia / I Conferência Relações Étnicas e Raciais na América Latina e Caribe, em Salvador, em abril de 1996 e da XXVI Reunião Brasileira de Antropologia, em Porto Seguro, em junho de 2008. Em março de 2017, o autor tomou parte, em Paris (palestrante) e Lisboa (ouvinte) da Primavera Literária Brasileira, que reuniu escritores brasileiros em debates em universidades como e livrarias. Foi palestrante também no Salão do Livro de Paris, em 25.03.2017.