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A poesia feminina comandou a mesa da tarde de sábado na Flica

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A poesia sempre traz mais cor para o nosso cotidiano que, no meio da correria, pode nos parecer cinza. Gostar de poemas é fácil, escrevê-los nem tanto.  A mesa 7,  “Exílios Interiores”, reuniu duas que dominam a arte da poesia: a mineira Ana Martins Marques e a baiana Ângela Vilma.  Como mediadora a também poeta Mônica Menezes.

Apesar do título, Ana não se considera poeta. “Nunca me reconheci como poeta. O que se colocou para mim foi a leitura e a escrita, porque penso as duas coisas muito juntas, intrinsecamente ligadas. Quando descobri a leitura, comecei a escrever e percebi que eram importantes porque me possibilitavam o acesso a pensamentos e descobertas que não existiriam em minha vida de outra forma. A questão da literatura é descobrir na escrita uma coisa que você não sabia(…). Então, falar se é poeta ou não, para mim não é essencial”, disse.

Na sequência, Ana arrancou risos do público: “Claro que para outras pessoas é. Tenho uma amiga que chega em um hotel e diz que adora colocar ‘poeta’ na ficha, porque as pessoas pensam as coisas mais esquisitas. Já eu nunca fiz, porque penso que eles vão achar que eu não vou pagar (risos). Eu não faço, mas tem gente que faz de forma militante”, afirmou.

Ângela, por sua vez, descartou o papel político do poeta. “O papel do poeta hoje no Brasil… bom, não vejo como papel, função. Acredito como professora que o ser humano deveria ser educado pela arte. Se você não educar pela arte, o poema como um todo não vai ter resultado. O próprio poema é político, mesmo não tendo ostensivamente a ideia, ele alcança o leitor. É a sua luta existencial(…). A literatura é intrinsicamente política, só que os discursos do poder, anulam a arte”, pontuou.

Dia 15 de Outubro – Mesa 7 – Flica 2016