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Conceição Evaristo e Alex Simões falaram sobre literatura negra

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A oitava mesa da Flica reuniu Conceição Evaristo e Alex Simões, mediados por Lívia Natália. Durante a conversa, que começou no fim da tarde de sábado (15/10), os escritores falaram sobre o processo de escrita das poesias e as influências para os textos na mesa “As águas dos contrassonetos e os olhos da vândala insubmissão”.

Em nenhum momento esqueço que estou trabalhando com a arte da palavra. Literatura é a arte da palavra. Eu gosto muito de trazer palavras do vocabulário da umbanda e do português arcaico. Eu adoro escutar histórias alheias. As vezes o assunto não é nem comigo e eu gosto de prestar atenção“, disse Conceição.

Questionada sobre a literatura negra, a autora respondeu: “Por que se reconhece uma música negra e toda influência das músicas negras? Por que se reconhece a culinária negra e suas influências? Mas quando chega na área da literatura existe esse impasse. A literatura é vista e publicada pelas classes hegemônicas. Eu não tenho dificuldade nenhuma em afirmar que a minha experiência como negra na sociedade influencia no que escrevo. Tudo está muito ligada à minha experiência como negra mineira.”.

O baiano Alex Simões ressaltou: “O texto literário pode muito pouco, mas eu acredito na potência política da coerência. A gente tem que agir com a coerência com nossos princípios. Eu gosto de momentos que esperam que eu vá falar no lugar de negro e gay, mas falo só de literatura. É muito mais importante manter essa relação de coerência. Eu sou negro, falo de questões que tem haver com as questões que são negras. Mas a mim, me interessa muito mais o que está nos campos extra-literários. O problema é ainda existir, nesse contexto que estamos vivendo, o machismo, o racismo e a homofobia“.

Dia 15 de Outubro – Mesa 8 – Flica 2016