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Flica prestigia poetas baianos na mesa ‘A nobreza dos versos’

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O penúltimo dia de Flica começa rimado, performático, poético. Tradição da Festa desde as primeiras edições, esse ano quem participa da mesa que fala especificamente sobre esse gênero literário são os poetas baianos Florisvaldo Mattos e Roberval Pereyr. A nobreza dos versos tem como objetivo mostrar a importância da poesia local e também a riqueza e pluralidade da criação artística brasileira.

Montagem Florisvaldo e Roberval_texto

“Se me buscarem, não vou.
Se me ofertarem, não quero.
Se me disserem quem sou,
direi que não sou, e espero.
Direi que esperar é tudo;
e que o que espero é nada;
que quando viajo, mudo
   conforme as feições da estrada”.

Decisão, acima citado, é poema do Doutor em Letras e poeta Roberval Pereyr. O baiano é autor dos livros Iniciação ao estudo do um (com Antônio Brasileiro), Cantos de sagitário, As roupas do nu, Ocidentais e O súbito cenário e Mirante, que em 2011 foi premiado pela Academia de Letras da Bahia. Pereyr também é professor de Teoria Literária na Universidade Estadual de Feira de Santana.

Já Florisvaldo Mattos tem como primeira formação o Direito, mas foi no Jornalismo – e na poesia – que ele se encontrou. “Sou todo uma selva de hábitos/ e nada sei que outros lábios/ já não tenham dito ou tentado”, diz ele, humildemente em uma das estrofes de Janela para o dia. Ainda em 1958 o consagrado cineasta brasileiro Glauber Rocha, era diretor da editoria de polícia no Jornal da Bahia, e elogiou os textos de Mattos. Dos feitos como poeta, ele se destacou principalmente em 2001, quando escreveu Sísifo, o fogo e as essências, sobre o atentado às Torres Gêmeas, publicado então no suplemento semanal que ele editava magistralmente no jornal A Tarde.

O intermédio da banca fica por conta do ator Jackson Costa, que conversa com os dois autores em meio a declamações, fusões, versos, arroubos e intimidades. Além de diversos trabalhos no teatro, ele também atuou em algumas telenovelas da Rede Globo, como “Duas Caras” e “Gabriela”, e compartilha gratuitamente com o público o seu talento e conhecimento, a quem queira participar.

Com poeta de versos tão nobres e que representam a cultura local, a 8ª mesa de debates da Flica está muito bem representada, também pela cidade sede, Cachoeira. Depois de Salvador, o município baiano reúne o mais importante acervo arquitetônico no estilo barroco, por isso, suas casas, igrejas, prédios históricos, cachoeiras e o Rio Paraguaçu se misturam à poesia de vida das pessoas que ali vivem e as que por ali passam.

Outros bate-papos acontecem antes e depois – a partir de quarta-feira, dia 29 de outubro, a domingo, 2 de novembro – e discutem desde processos editorias à “política” do compadrio. A Festa tem patrocínio da Oi, COELBA e Governo do Estado da Bahia, através do programa FazCultura.