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Milton Hatoum e João Filho fazem mesa divertida

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Com mediação de Mirella Márcia, a segunda mesa do dia 14 de Outubro, reuniu o amazonense Milton Hatoum e o baiano João Filho num bate papo para lá de descontraído. Durante a conversa, Hatoum falou de seu processo de escrita e brincou: “Quem quer ajuda, tem que ler autoajuda. Os romances não te ajudam em nada, os romances te fazem pensar, pelo menos os meus”.

A mediadora Mirella fez uma provocação a Hatoum, autor de livros como “Dois Irmãos”, perguntando por que a maioria de seus personagens morrem no Natal. Hatoum explicou que a morte no Natal simboliza o renascimento. “O Natal para mim é uma questão emocional. Me separei muito cedo de minha família e soube por pouco tempo o que era passar o Natal com a família. Falo muito da impossibilidade da volta (ao passado) e esse é um tema que está muito presente na literatura, que é a volta para casa“.

Já João Filho brincou com Salvador e sua ‘baianidade’. “Uma cidade tão barulhenta, tão desnudada, também tem várias igrejas, por exemplo. Essa moeda de dois lados me encantou. Salvador subverte a linguagem. É um negócio impressionante. Não se fala ‘por favor’, se fala ‘na moral, velho’. Tudo bem se fala ‘é nenhuma’. Eu adoro isso. Essa brincadeira toda com a linguagem é impressionante“, disse ele, arrancando gargalhadas do público.

Mirella ainda levantou uma discussão sobre o prêmio Nobel de Literatura, concedido ao músico Bob Dylan. João Filho foi categórico: “Essa premiação não tem nada a ver com literatura. O Nobel é mais política que outra coisa. Por mais que se separe a letra de uma música, há uma dimensão da poesia que a letra não alcança”.

Dia 14 de Outubro – Mesa 4 – Flica 2016