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Rita Santana e Clarissa Macedo falam da produção poética como instrumento de resistência e rebeldia

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A poesia nasce do paradoxo de dizer o indizível, trazendo em si a densidade dos dramas humanos e das injustiças sociais. Sobre isso as autoras baianas versaram na Flica

 

Na primeira mesa literária de sexta-feira, 16 de outubro, às 10 horas, as poetisas Rita Santana e Clarissa Macedo falaram sob mediação do também poeta Roberval Pereyr sobre o tema Versos, diversos.

Rita começou sua fala lendo uma das poesias de seu livro Alforrias e destacou sua produção literária como discurso que fala de uma identidade, a sua. Negra, grapiúna (nascida em Ilhéus) e feminina. “Minha poesia denuncia repressões, censuras e reclusões. Quando a faço, milito, mas, ainda assim, o que grita mais alto é a sonoridade dos versos”.

Clarissa falou da palavra, matéria-prima de sua poesia, como cúmplice do que enlouquece. Loucura esta a semelhança da terceira margem do rio, da qual fala Guimarães Rosa. E destacou ainda seu processo de criação. “Escrevo por necessidade, minha biografia entra de maneira sinuosa, afinal, não existe linearidade na poesia, apesar de ela carregar tanto discurso. Eis aí um paradoxo”.

Como não poderia deixar de ser, a condição feminina na literatura e, mais especificamente, na poesia, veio à pauta e ambas as autoras falaram sobre a dificuldade de ser mulher e escritora. Rita Santana contextualizou: “Desde o século XIX as biografias das mulheres são desvalorizadas enquanto escritoras”. Clarissa Macedo acrescentou: “Todos os dias essas urgências batem à porta. Ainda tem mais essa coisa de ter de sobreviver que é um inferno”.

A partir dessas contingências, a poesia de Rita e Clarissa é combativa, rebelde e desobediente. “Quantas estratégias políticas vem para desqualificar. Eu fui alfabetizada ideologicamente. Sou uma mulher política e esse veio aparece na minha poesia que é verborrágica”, afirmou a poetisa de Ilhéus.

Assim, a resistência pela raça, pelo sexo e pela classe social permeia a produção das autoras baianas sem perder o rigor estético e a sonoridade poética. Rita citou como exemplo um verso de seus muitos poemas que diz: “Roubei de uma casta a lira”, como uma analogia ao seu ofício de poeta comum à elite, nunca aos negros. Sua visão então mudou ao lembrar-se da poesia de Cartola, dos sambas de Pixinguinha, Noel Rosa e Paulinho da Viola. A lira não foi roubada, sempre esteve consigo, precisava apenas percebê-la.

As autoras falaram ainda de suas referências literárias femininas e da importância da alfabetização política dos professores em temas caros à sociedade, como homofobia e racismo. Hilda Hilst, Adélia Prado, Rachel de Queiroz e Carolina de Jesus foram alguns dos nomes citados.

Por fim, Rita e Clarissa destacaram a Flica como um espaço de legitimidade e reconhecimento coletivo. A literatura em si e debatida em múltiplas formas e sobre variados temas, muda pensamentos. Como concluiu Rita Santana: “Nós construímos pensamentos, enquanto construímos literatura”.

Ao término da mesa literária Versos, diversos, as autores seguiram para a sessão de autógrafos. Rita Santana autografou Alforrias, pela Editus e Clarissa Macedo, na pata do cavalo a sete abismos pela 7Letras.

 

O Governo do Estado da Bahia apresenta a Flica 2015 e o projeto tem patrocínio da Coelba, da Oi e do Governo do Estado, através do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e apoio cultural da Oi Futuro, da Prefeitura Municipal de Cachoeira, do Sebrae, da Odebrecht e da Caixa Econômica Federal. Um evento realizado pela iContent e Cali.

 

Confira a programação da Flica no site: www.flica.com.br

 

O quê: Festa Literária Internacional de Cachoeira – Flica

Quando: 14 a 18 de outubro de 2015

Onde: Município de Cachoeira, a 110 km de Salvador

Entrada gratuita

 

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