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Verdades sobre as Linhas Editoriais no Brasil

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Mesa Linhas editorias acontece dia 30, ás 19h

Mesa ‘Linhas editorias’ acontece dia 30, ás 19h

Jornalista e editor-executivo de uma das maiores editoras do país em número de lançamentos e vendas, Carlos Andreazza, da Record, discute sobre Linhas Editorias na Flica deste ano ao lado da editora da Solisluna, Valéria Pergentino. Ambos consagrados no mercado de livros, eles rebatem aos questionamentos do mediador Aurélio Schommer, um dos curadores do evento.

Essa promete ser uma das mesas mais polêmicas da 4ª edição da Festa, já que discute tabus do mercado editorial como a imparcialidade; a existência, defesa ou não de linha editorial; etc. bem como os interesses comerciais que influenciam na grade de lançamentos e que ditam o que deve ou não ser publicado. Diante deste cenário, a discussão, que acontece no dia 30, às 19h, também deve levar à reflexão sobre o rumo das editoras independentes.

Outra abordagem em decorrência do tema é sobre as cada vez mais populares “publicadoras”. Qual seria a opinião destes editores sobre elas? “Muitos autores pouco conhecidos, que não passam nos filtros das grandes editoras, reclamam das pequenas que se oferecem para publicar os livros deles mediante a cobertura de todos os custos pelos próprios escritores. Há algum sinal de ‘picaretagem’ nessa prática?”, instiga Schommer.

Responsável pela publicação de livros de grande sucesso como Esquerda Caviar, de Rodrigo Constantino, Década perdida – 10 anos de PT no poder, de Marco Antônio Villa, Dirceu – a biografia, de Otávio Cabral, O mínimo que você precisa ler para não ser um idiota, de Felipe Moura Brasil, e alguns dos livros de Reinaldo Azevedo, como O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo, Carlos Andreazza adianta alguns pontos de vista que podem ser esperados por quem irá acompanhar a Festa.

“O papel do editor também é investir na pluralidade. E é isso que faço. Parece-me curioso que tenhamos um mercado editorial historicamente demarcado – tomado, para muitos – pelo pensamento de esquerda, o que está aí ainda hoje, e que, no entanto, eu seja criticado e atacado por simplesmente abrir e investir numa linha editorial liberal/conservadora (…). Isso é o mínimo! Este – o da pluralidade, o de abrigar e estimular o debate e a divergência desde dentro – é o papel de uma grande editora. Também por isso me orgulho de trabalhar na Record”, diz ele.

Especificamente sobre a Flica, Andreazza espera contribuir com algumas ideias, “as poucas que tenho, ou ao menos fazer bagunça”.  Para ele as festas literárias hoje são uma saudável realidade no Brasil, “embora a disseminação da cultura dependa, antes, da formação de leitores, ou, ainda antes, de uma alfabetização razoável e de uma mínima capacidade de abstração individual”.

A 4ª edição da Flica tem patrocínio da Oi, COELBA e Governo do Estado da Bahia, através do programa FazCultura. Além de autores e especialistas do mercado editorial brasileiro estão confirmados também estrangeiros como o dramaturgo romeno Matéi Visniec e o filósofo lituano Leonidas Donskis.