Mesas Flica

Mesa 1 | Histórias da gente brasileira

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Houve um tempo em que os índios não eram vistos como a quintessência da bondade. Os caboclos (mamelucos), que não tardaram surgir, aos poucos foram se tornando “da gema”. Os lusos já eram aquela gente meio espantada, meio maravilhada com as amplas possibilidades da terra e do povo.

No livro lançado neste ano, o volume 1 da série “Histórias da gente brasileira”, Mary Del Priore fez do exercício proposto por Gérard Vincent (“É certamente o estudo da vida privada que nos permite esperar um acesso ao conhecimento do sujeito social”) uma crônica deliciosa sobre os costumes de brasileiros anônimos ou nem tanto. Ela nos conta outra história, com gosto e aroma de verdade. Com o detalhe quase desnecessário de que foi verdade mesmo.

A história geral, de líderes e sistemas, tem pouco a contar. Se o resultado é tirania ou democracia, não se deve aos jogos políticos em si, mas aos pendores e atos de indivíduos, comuns ou não. É resgatando as histórias, os dramas e fazeres de gente que só tem de comum o fato de existir que o historiador monta um quadro revelador da natureza essencial da história pública.

A mesa-livro que abre a Flica 2016 é retrato colorido, rigoroso e literário das gentes que nos precederam e nos tornaram, em pequenos e grandes gestos, o que somos.