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Mesa 3 | Do Éden à Finlândia

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Realidade aumentada ou realidade focada? Descrever um mundo novo, “paralelo”, ou reler um instantâneo do existente?

A faculdade do real, do foco, do instantâneo redesenhado, é comum a todos os bons escritores. Alguns, porém, sem abrir mão da capacidade descritiva/narrativa, livram-se das amarras da referência a um real que, de qualquer forma, se perdeu, pertence à história, esta desmemoriada. “Fantástico” é um termo ruim para descrever tal passagem. Melhor seria falar em o real que habita o campo da vontade, da representação.

A Finlândia, de Scarlet, existe. O Éden (paraíso), de Eduardo, não. Mas tudo que Scarlet conta da Finlândia pertence ao campo da vontade, o real tal como o tememos ou desejamos, sonhamos ou poderíamos ter sonhado (“como não pensei nisso antes”, suspira o leitor).  Quanto ao paraíso de Eduardo, é tão real quanto o paraíso realmente existente, mágico por conter a Existência, promissor por predizer a fruição de todas as vontades. Somos o que conseguimos focar (e lembrar) e a realidade aumentada por nossa imaginação, o império de nossas vontades, reveladas por letras narrativas/descritivas dos bons autores. Se está escrito, aconteceu?