Mesas Flica

Mesa 5 | O mar, um mapa, a audácia

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O primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras foi Machado de Assis. Passados 104 anos, ocupou o posto Ana Maria Machado. Apenas um cargo, extremamente honroso, diga-se, em comum?

Há muito mais a unir Machado a Ana Maria, além também do nome, é claro. Foquemos nos romances. Há quem diga que o maior de todos das letras brasileiras era melhor no conto. Como haverá quem prefira ver em sua longínqua sucessora na ABL mais destacados seus textos jornalísticos, suas recomposições históricas, o vigor de sua produção voltada aos públicos infantil e juvenil.

Aos romances, como “O mar nunca transborda”, “Um mapa todo seu”, “A audácia dessa mulher”. Refinada arte de construção literária, o edifício da narrativa que mistura engenharia e arquitetura, base concreta e forma, contornos. Apenas por eles, elegeríamos Ana Maria Machado como homenageada da Flica 2016.

Há muito mais a destacar, a começar pela capacidade de se multiplicar em atividades em torno do escrever, da literatura, da leitura. Foi livreira, editora, jornalista, escreveu mais de cem obras, militou ativamente para transformar o Brasil num país de leitores. Mais de 20 milhões de exemplares de seus livros foram lidos.

É provável que a história futura da literatura brasileira trace novos paralelos e comparações entre Machado de Assis e Ana Maria Machado. A Flica já traçou o principal: são dois grandes, de estatura magnífica. Não precisamos esperar a história futura. A hora de homenagear essa grande brasileira é agora.