Mesas Flica

Mesa 7 | Exílios interiores

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No interior não há nada escondido. Ou até há, mas carece de luz. Não pode ser visto.

Na poesia de Ângela Vilma e na de Ana Martins Marques há, porém, revelações sobre o vazio aparente de que somos moldes. Há muito dito sobre os moldes, as formas, as linhas humanas que buscam outras linhas, fora do mundo, como vê Ângela, e sobre como (não) enxergar a luz dos vidros de perfume guardados no armário fechado, que o espelho imaginário e não existente de Ana não reflete.

Além do nada deve haver algo. O amor não se vê e muitas vezes sequer terá refletido uma forma conhecida, e, no entanto, tão mais intenso o será se dado como algo que deve haver. De vagos desejos surgem firmes esperanças, palavra por palavra descritas na forma de poemas que moldam o objeto literatura.

Nos exílios interiores dessas destacadas e muito lidas poetas não há nada escondido. Há revelações precisas sobre objetos e letras. Há sobretudo imaginações que buscam letras e objetos que deve haver, sobretudo há sentimentos para os quais haver de fato objetos, o nada ou o tudo, não é o fundamental. Há de haver letras e palavras, linhas tecidas para vestir os moldes que não emitem luz por si mesmos, portanto sem a poesia não poderiam ser vistos.