Mesas Flica

Mesa 8 | As águas dos contrassonetos e os olhos da vândala insubmissão

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As palavras não necessariamente habitam os livros.

Quando a Flica foi lançada, em 2011, era-nos difícil explicar essa obviedade, tal a força da associação entre literatura e impressão numa tela branca.

Embora reconheçam o gosto e o orgulho próprio com seus livros impressos, Conceição Evaristo e Alex Simões, em entrevistas recentes, ressaltaram a função da oralidade na contação de histórias e, sobretudo, na poesia. “Poesia é um fenômeno fundamentalmente oral”, afirma esse criativo e performático poeta soteropolitano. “Não nasci rodeada de livros, mas rodeada de palavras. Havia toda uma herança das culturas africanas de contação de histórias”, diz da prosa essa multiescritora criada na favela Pendura Saia, em Belo Horizonte.

Insubmissos às limitações impostas pelas circunstâncias, cada um dos convidados desta mesa reagiu a sua maneira. Ela moveu-se pela sensação de deslocamento, leu muito, então quis entender o mundo e seu lugar nele. Acabou sendo publicada, reconhecida, traduzida, ouvida. Ele chegou a escrever poemas “sem saber para quê”. Depois esperou ser descoberto, até ir ao encontro do leitor através de empreitadas épicas, contando com uma rede de amigos movida pela mesma insubmissão.

Fazendo-se livros, Conceição e Alex jamais deixaram de enfatizar o fundamento maior da palavra. É para professá-la altissonante que se fazem presentes na Flica, endossando o que para nós sempre esteve óbvio: literatura é palavra.