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Mesa 9 | Entre cidades atlânticas

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No pós-pós, ou talvez, visto de outra forma, num retorno ao moderno, Goli Guerreiro é antena em movimento, deslocando-se no universo atlântico que define e redefine, processo vivo, sua terra soteropolitana. Entre o presencial (Américas, África, o Atlântico todo) e o digital, ela batiza a terceira diáspora.

Kabengele Munanga é de outro tempo por origem, diáspora própria entre os muitos movimentos que marcam a descolonização da África, que ele colhe na flor da juventude para em seguida experimentar o exílio e por fim, em nova colheita, o abrigo no lado de cá do Atlântico.

Além da humanidade (latu sensu), une-os a investigação permanente, sobretudo do afromundo, afrodescendente, afromovimento; e das reações, novas ou reacionárias, à afroafirmação. Atlânticos somos todos, sim, mas, como assinala Munanga e Goli também constata, o racismo subsiste e ainda há quem defina quem é quem pela aparência.

Já não deveria ser assim no pós-pós, mas será que há algo de efetivamente moderno por vir? Que nos digam esses dois antropólogos ativos e produtivos, que falam, escrevem, pesquisam, ensinam, aprendem, transitando entre cidades atlânticas, num só universo em diálogo.